1. Música que desperta memórias

Iwata:

Aonuma-san, hoje gostaria de começar por te perguntar como foi a tua experiência na digressão de concertos1 que passou pelo Japão, Estados Unidos e Reino Unido. Estive em viagens de negócios, por isso não pude assistir a nenhum dos concertos, mas toda gente que foi fala deles com alegria. 1Digressão de concertos: A digressão de concertos sinfónicos comemorativos do 25.º aniversário de The Legend of Zelda decorreu em outubro, no Japão, na América e no Reino Unido, para comemorar o 25.º aniversário da série The Legend of Zelda.

Aonuma:

Sim! (risos) Estou muito agradecido porque todos os que vieram disseram que foi excelente.

Iwata:

Ouvi dizer que muitas pessoas tinham lágrimas nos olhos enquanto ouviam.

Aonuma:

É verdade. Eu também tinha. Ouvir uma orquestra ao vivo despertou muitos sentimentos em mim. Caíam lágrimas e, ao longo do concerto, sentia-me cheio de felicidade e estava todo arrepiado.

Iwata:

Não apenas por um momento, mas durante todo o concerto.

Aonuma:

Sim. No Japão, muitas pessoas escutavam com lágrimas nos olhos. Até o apresentador estava surpreendido.

Iwata:

Acho que todos se recordaram das experiências que viveram quando jogavam os jogos. A música tem o poder de despertar memórias.

Aonuma:

Nos concertos no estrangeiro, eram projetadas imagens dos jogos num ecrã. No meu caso, eu recordava-me da criação dos jogos.

Iwata:

Ah, claro. (risos) As tuas memórias incluem criar os jogos.

Aonuma:

Sim. Tivemos situações difíceis, tivemos todo o tipo de situações. (risos) Recordei vividamente as memórias desse tempo.

Iwata:

Ouvi dizer que, no concerto em Los Angeles, toda a gente aclamava enquanto ouvia. (risos)

Aonuma:

Os Estados Unidos foram uma experiência e tanto!

Iwata:

Quando ouvi isso pela primeira vez...um concerto de rock é uma coisa, mas achei que pessoas aclamarem num concerto de música clássica era um exagero.

Aonuma:

Aclamavam mesmo! (risos) O tempo todo não, claro. Mas, quando as músicas e as imagens mudavam, gritavam “Yaaay”!

Iwata:

Uau. (risos)

Aonuma:

Incapazes de se conterem, davam voz ao que sentiam. Simplesmente não era uma ocasião para se sentarem e ouvirem em silêncio.

Iwata:

Talvez seja essa a diferença entre a cultura ocidental, que é menos hesitante a expressar emoções, e a cultura japonesa, que encoraja um certo comedimento.

Aonuma:

Havia uma diferença clara.

Iwata:

A Inglaterra deu uma impressão diferente dos Estados Unidos?

Aonuma:

Especulava-se que o público não seria tão efusivo, mas não era verdade. (risos) Comparativamente, era mais silencioso no início e no meio das canções mas, quando as estas acabavam, os aplausos e o apoio eram imensos.

Iwata Asks
Iwata:

Também faziam ““Yaaay”?

Aonuma:

Sim. (risos) Era muito parecido. Em Londres, Zelda Williams2 entrou em palco como convidada e toda a gente ficou louca. 2Zelda Williams: É uma atriz, filha do ator americano de cinema Robin Williams. O pai dela deu-lhe o nome Zelda porque é um grande fã da série. Na Europa, ela apareceu em anúncios televisivos de The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D, The Legend of Zelda: Four Swords Anniversary Edition e The Legend of Zelda: Skyward Sword.

Iwata:

O (Koji) Kondo-san3 tocou um solo de piano no encore. 3Koji Kondo: Departamento de Desenvolvimento de Software, Divisão de Análise e Desenvolvimento de Entretenimento, Nintendo. Ele compôs muitas músicas para séries como Super Mario e The Legend of Zelda.

Aonuma:

É verdade. Ele foi tão bom que pensei (contorce-se): “Eu também quero tocar piano!” (risos)

Iwata:

(risos) Ouvi dizer que ele tocou alguma coisa de The Legend of Zelda: The Wind Waker4. Que canção foi? 4The Legend of Zelda: The Wind Waker: Um jogo de ação e aventura lançado para a consola Nintendo GameCube, em dezembro de 2002, no Japão.

Aonuma:

Tocou

Video: “Grandma’s Theme”.

Aonuma-san, hoje gostaria de começar por te perguntar como foi a tua experiência na digressão de concertos 1 que passou pelo Japão, Estados Unidos e Reino Unido.
“Grandma’s Theme”. Não é uma canção famosa, mas toda a gente a conhecia. E o que foi mesmo espantoso foi que ele nem sequer ensaiou!

Iwata:

O quê? Ele passou diretamente para a atuação sem um único ensaio?

Aonuma:

Sim. O Kondo-san disse que escolheu essa canção porque era impossível enganar-se a tocá-la. (risos) Aparentemente, ele ficou mais tenso durante o discurso, mais tarde.

Iwata:

Isso é típico dele. (risos)

Aonuma:

No momento em que ele terminou a sua atuação emotiva, toda a gente se levantou para uma ovação de pé. Foi do tipo: “O maestro chegou!”

Iwata:

Isso é incrível!

Aonuma:

Apesar de as pessoas de cada um dos três locais expressarem as suas emoções de formas diferentes, acho que o que sentiam nos seus corações era o mesmo.

Iwata:

Enquanto acompanhavas o concerto, encontraste-te com os órgãos de comunicação social internacionais. Como foi a sua reação?

Aonuma:

Muito forte.

Aonuma:

Exato. Além disso, quase todos disseram que The Legend of Zelda: Skyward Sword é o melhor jogo da história da série.

Iwata:

Até agora, dizia-se a mesma coisa de The Legend of Zelda: Ocarina of Time.5 5The Legend of Zelda: Ocarina of Time: Um jogo de ação e aventura lançado para a consola Nintendo 64, em novembro de 1998, no Japão. O remake The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D foi lançado para a consola Nintendo 3DS, em junho de 2011.

Aonuma:

Sim, os jogos têm recebido críticas favoráveis desde The Legend of Zelda: Ocarina of Time, mas eles dizem que Skyward Sword os supera de longe. E perguntam-nos como foi que o conseguimos. Toda a gente quer saber como. Mas é muito difícil dar uma resposta simples.

Iwata:

Ainda assim, mais à frente, gostaria de perguntar como foram capazes de o fazer. Mas, por agora, houve mais alguma coisa nesta digressão pelo mundo que te tenha causado impressão?

Aonuma:

Os órgãos de comunicação social europeus foram um pouco diferentes. Convidaram fãs entusiastas para acompanhar as entrevistas.

Iwata:

Eles fizeram perguntas?

Aonuma:

Sim. Um fã foi o vencedor do concurso de filmes sobre Legend of Zelda feitos por fãs, por isso ele realmente adora a série.

Iwata:

Como era o filme dele?

Aonuma:

Era um filme de animação stop-motion em 2D de Zelda feito com papel. Só isso já era espantoso, mas também incluía elementos de toda a série. Supostamente, demorou uma semana a fazer, mas era tão espantoso, que se pensaria impossível fazer nesse espaço de tempo.

Iwata:

Nós agradecemos tamanha dedicação. E todos esses fãs entusiastas queriam falar-te e perguntar-te sobre o quê?

Iwata Asks
Aonuma:

Primeiro, diziam os títulos que gostavam da série e, a seguir – sem exceção -, diziam que The Legend of Zelda: Skyward Sword era ainda melhor.

Iwata:

Mas ainda não o tinham jogado, pois não?

Aonuma:

Não. (risos) Ainda assim, eles diziam convictamente: “Basta olhar para os vídeos para perceber isso!” (risos) E também diziam: “Porque parece que podemos fazer isto e aquilo!” E tinham razão.

Iwata:

Eles ainda não o tinham jogado mas, à sua maneira, interpretavam as informações colhidas nos vídeos que lançámos.

Aonuma:

Assim parece. No fim, diziam: “Seja como for, estamos ansiosos por jogá-lo!”

Iwata:

Isso deve ser uma forma de expetativa pura. Normalmente, isso é impensável, quando apenas uma pequena parte do conteúdo do jogo é conhecida pelo público. (risos)

Aonuma:

Acho que, desta vez, chegámos mesmo até eles. Ao falar com a comunicação social e os fãs, sentia pelo seu entusiasmo que eles tinham noção da densidade de conteúdo deste jogo.