Tales of Monkey Island

WiiWare

Tales of Monkey Island

Na secção História deste website podes ler mais sobre a mistura única de aventura e humor que catapultou pela primeira vez a série Monkey Island para os holofotes há quase duas décadas.

O aclamado franchise regressou sob a forma de Tales of Monkey Island, um jogo que conta com todo o encanto que tornou esta série famosa mas que ao mesmo tempo tenta apresentar o improvável herói Guybrush Threepwood a um novo público. Estivemos à conversa com Mark Darin, designer na Telltale Games, sobre o desafio único de tentar capturar de novo a magia do Monkey Island original e ao mesmo tempo levar a série até território virgem.

Mark Darin

MARK DARIN: DESIGNER, TELLTALE GAMES


 

Já passou quase uma década desde que o último título da série Monkey Island foi lançado. Porque é esta a melhor altura para um revivalismo sob a forma de Tales of Monkey Island?

Acho que isto se explica em grande parte pela crescente popularidade dos downloads digitais. As editoras viam as aventuras de point and click como um risco e havia poucos interessados. Os downloads digitais abriram a porta a empresas que queriam tentar algo diferente dos infindáveis clones dos jogos populares da última década ao mesmo tempo que reduziam o risco envolvido. Monkey Island é definitivamente um jogo popular nos círculos dos jogos de aventura, mas nem todos os gamers modernos o experienciaram ou têm acesso aos jogos. O facto de existirem agora consolas através das quais os jogadores podem comprar jogos a preços extremamente razoáveis no conforto das suas casas permite que empresas como a Telltale (e a LucasArts) tenham mais facilidade em criar jogos como Monkey Island, acessíveis a toda uma nova geração de gamers.

 

 

Como encaras o desafio único de tentar agradar a fãs antigos de Monkey Island e tornar, ao mesmo tempo, o jogo acessível a pessoas que se deparam com a série pela primeira vez?

O segredo está em garantir que a essência das personagens principais permanece intacta. LeChuck é o demoníaco pirata zombie! Guybrush é o pirata ligeiramente desajeitado com um sentido de humor muito aguçado! Elaine é a amada que parece estar sempre à frente em tudo o que faz. Continuam a ser as personagens que os fãs aprenderam a adorar e incluímos algumas referências a jogos anteriores para oferecer a dose certa de serviço aos fãs. Contudo, a história é novíssima para que os principiantes nestas lides possam mergulhar no jogo de cabeça e não tenham que se preocupar com os acontecimentos dos jogos anteriores.

 

 

Sabemos que parte da equipa da Telltale já tinha trabalhado nos jogos Monkey Island. Quais são alguns dos papéis específicos em que estiveram envolvidos, e qual o contributo na reanimação de Tales of Monkey Island?

Dave Grossman, o nosso director de design, participou na escrita e design do jogo Secret of Monkey Island original, então é como se tivéssemos uma linha directa a seguir! Há vários membros na nossa equipa que trabalharam em diferentes áreas de jogos anteriores incluindo arte, animação, design e escrita. Cada um contribuiu com a sua experiência única para Monkey Island, cientes do que funcionava e do que não funcionava nos jogos anteriores, o que ajudou a que evitássemos certas armadilhas. A combinação de vários talentos dos diferentes jogos passados também nos permitiu criar este jogo novo com um sentimento de que é largamente influenciado pelos jogos passados.


 


 

 


 

A série sempre foi conhecida pelo seu sentido de humor. É assustador tentar estar à altura dos jogos anteriores em termos de momentos de gargalhadas? 
 

Absolutamente! Ouço muitas vezes os escritores de episódios individuais (isto inclui episódios para jogos diferentes como Sam & Max, e Wallace & Gromit tambéml) a sucumbir à pressão e a dizer que acabaram de escrever o episódio menos divertido da série! Claro que isto é completamente falso. Temos aqui bastantes escritores talentosos e todos tentamos realçar o melhor que há uns nos outros.

 

 

O que achas que é mais apelativo no facto de lançarem o jogo por episódios e porque achas que WiiWare foi uma boa escolha para este título tão aguardado?

Do ponto de vista da produção, uma das melhoras coisas neste formato é a forma como nos permite interagir directamente com os nossos fãs. Depois de um episódio ser lançado, podemos responder quase imediatamente ao feedback e trabalharmos no sentido de incluir no jogo coisas que os jogadores queiram ver. Também nos permite fazer coisas como o concurso “designer de jogos por um dia” em que os fãs podem aceder ao nosso website e escrever o seu próprio conteúdo directamente num episódio futuro.
Do ponto de vista do jogador, gosto de saber que posso esperar um streaming fixo de jogos durante vários meses. Dá-me algo pelo qual ansiar, e para jogos baseados em enredo, dá-me tempo para jogar ao meu próprio ritmo e absorver as histórias.

 

Os jogadores que já jogavam no início da década de 90 poderão ter boas memórias de revolucionários jogos de aventura de point and click como Monkey Island. Mas como vês a recepção de um título como Tales of Monkey Island nesta actual era de jogos?

Acho que neste caso, tudo se resume à história. Na Telltale, isso é algo com que nos preocupamos muito. Sabemos de experiências passadas que os jogos de aventura constituem uma forma fantástica de contar histórias de modo interactivo e cinematográfico. Acredito que as pessoas desejam experienciar histórias fantásticas cheias de drama, comédia, emoção e fantasia aliadas a personagens ricas e intrigantes; e que haverá sempre um lugar para este tipo de jogos, mesmo na actual era de videojogos.

 

 

No geral, quais foram os maiores desafios que enfrentaram no processo de passar Tales of Monkey Island da tela para a sua forma final?

Um dos maiores desafios iniciais para o design foi determinar um tom para a história. É uma decisão complicada porque ao mesmo tempo que não queremos depender demasiado da reanimação de temas e piadas de jogos passados, também não queremos alienar os fãs e adoptar uma direcção totalmente nova. Acho que encontrámos aquele ponto certo em que colocámos as personagens familiares num novíssimo cenário mas conseguimos manter aquela sensação autêntica de um título Monkey Island.

 

 

Gerou-se muito entusiasmo com o regresso da série Monkey Island. Achas que existirá outro hiato de nove anos até Guybrush Threepwood voltar à acção numa nova aventura?

Espero que não!

 





 

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